Archive for the ‘investimentos’ Category

Quase tudo pode ser pago à vista (com desconto)

Claro que às vezes não temos condições de pagar à vista, mas deveríamos ter uma reserva para isso, mesmo que fosse uma situação de emergência (não prevista).

Mas as pessoas preferem ir comprando e dividindo em n vezes e depois fica difícil controlar os gastos e um dia acabam entrando em dívidas. Mesmo para quem anota todos os gastos e prestações (eu não aguento mais perder tanto tempo nisso). Melhor planejar e poupar antes para poder pagar à vista o que cabe no bolso (isso é bem mais prazeroso). Imagina poder planejar, poupar e pagar toda a viagem e ainda sobrar dinheiro para comprar o que você não esperava e não se apertar no cartão, por exemplo.

Mas a principal vantagem de pagar à vista é o desconto! Caso contrário, você até pode parcelar por algumas prestações, pois serão poucos casos. Praticamente tudo pode ser pago à vista (com desconto), aliás o parcelamento é que deveria ser a exceção. E quanto maior o número de prestações maior vai poder ser o desconto, principalmente devido aos juros atuais (o custo do dinheiro). Faça os juros trabalharem para você e não para o banco, seja recebendo pouco pelo investimento da sobra, de não pagar à vista, ou pagando muito com o financiamento.

Muitas “mensalidades” podem ser pagas anualmente ou semestralmente como os planos de pagamento nas academias. Neste caso, isto é oferecido principalmente para garantir um caixa para o estabelecimento, pois sabe-se que nem todo mundo mantém uma rotina de sempre frequentar a academia em todos os meses do ano. Portanto oferecer um desconto faz muito sentido para os dois lados. Mas cabe a você só pagar o que realmente for utilizar (só o desconto pode não valer a pena). Isto vale para assinaturas de periódicos e outros gastos por período.

Porém, em algumas situações muito mais cotidianas, não atentamos para fazer o mesmo. Veja o meu exemplo: no final do ano passado eu recebi um dinheiro extra (além do 13º) e pensei: poxa está difícil achar um investimento bom para esse dinheiro e já tenho a minha reserva… O que fazer? Por que não conversar com a escola dos meus filhos e tentar pagar com desconto todo o ano ao fazer a matrícula? O contrato é anual, não pretendo mudar de escola durante o ano (mas basta avisar com antecedência) e tenho que ficar pagando o boleto todo mês (e se esquecer pago multa e correção)…

Se o desconto for melhor que deixar na reserva de curto prazo ou emergência (na renda fixa) vale muito a pena! Lembre-se que muitos investimentos pagam imposto de renda, já pagar a escola dos filhos não, dá até para descontar na declaração anual. E o valor que a Receita Federal permite descontar na Declaração Completa não dá para pagar nem com desconto…

Por isso vamos sempre tentar pagar à vista e pedir o devido desconto! E como disse Benjamin Franklin: “O ganho é transitório e incerto; mas, durante a vida, a despesa é constante e certa”.

Dinheiro não pode ser o objetivo

O dinheiro serve para comprar coisas, desenvolver projetos e até viabilizar sonhos. Mas o objetivo não pode ser simplesmente ganhar dinheiro, isto é, ele é consequência das atitudes e sucessos pessoais e coletivos e que levarão a uma situação de riqueza financeira (pequena ou grande) para concretizar os objetivos de curto e longo prazos.

Veja o exemplo do ex-bilionário Eike Batista, que em várias entrevistas, a menos de dois anos atrás, almejava ser o homem mais rico do mundo. Em entrevista ao Fantástico chegou a dizer “Eu sou como um compositor que faz uma música. As minhas notas, por acaso, são dinheiro”. Na época ele chegou a ser o sétimo mais rico do mundo com quase 35 bilhões de dólares e agora estimam que ele tenha menos de 100 milhões de dólares de patrimônio ou até que já esteja falido, considerando as dívidas e a manutenção de vasto patrimônio de luxo que ele está se desfazendo. Outros empresários bilionários como Bill Gates, Carlos Slim ou Warren Buffet nunca disseram, ou tinham como meta, querer ser o mais rico, e cada vez mais doam fortunas para instituições de pesquisa e ensino além de caridade, fora o histórico de não esbanjar dinheiro, pelo contrário (vale a pena pesquisar a vida deles).

Depois de sumir da mídia por quase um ano após o início da queda na bolsa das empresas, pela desconfiança do mercado e sinais que aos poucos foram mostrando a realidade da situação, ele reapareceu recentemente dizendo que foi enganado pelos ex-executivos… Quem poderia ser enganado é cada um dos milhares de investidores das empresas X que na maioria eram pessoas que quiseram tornar-se apenas ricas rapidamente como ele. Na minha opinião, caso não tenha sido má-fé, esta quase obsessão por dinheiro levou a sua perda de foco nos negócios das várias empresas, que ainda estão no nível pré-operacional (agora pré-falimentar). Eu, por exemplo, na minha carteira de ações com 30 empresas brasileiras na bolsa de valores, nunca comprei qualquer das empresas do Eike. Por isso que eu digo, é melhor subir todo dia um pouco do que arriscar a dar um passo maior do que pode e acabar caindo.

Renda fixa ou variável?

A pouco tempo li um estudo mostrando que a renda fixa (CDI) foi melhor no longo prazo e a renda variável (Ibovespa) no curto prazo, através de várias simulações. Não era pra ser o contrário? Pois é, o estudo não está errado, mas tem várias questões que explicam este resultado e devem ser considerados.

A primeira questão foi que o estudo se baseou no passado recente do mercado brasileiro, do plano real (1994) até o primeiro semestre de 2012. Dezoito anos não seriam suficientes? Sim, mas estes dezoito anos foram simplesmente os maiores juros reais da história da humanidade. Ou seja, foi muito fácil ganhar dinheiro sem risco. Se considerarmos o cenário de  juros mais baixos recente e a provável continuidade deste processo, no futuro, veremos que a renda fixa não terá mais tanta folga.

A questão mais importante do estudo foi considerar cada investimento sempre com apenas um aporte de capital no início de cada período avaliado. Neste caso, apenas quando o investimento começa num período de fundo de preços na bolsa de valores (no auge de uma crise), que só se sabe depois que acontece, a bolsa consegue performar muito bem frente a renda fixa, seja no curto, médio ou longo prazo (quem investiu no final de 2008 ou inicio de 2009  sabe bem disso). Portanto o investimento em ações não deve ser feito de uma só vez, e sim periodicamente, colocando mais dinheiro quando o mercado está mais barato e menos (ou até começar a vender) quando o mercado está mais caro.

Outra questão relevante é que o parâmetro utilizado para medir a performance da renda variável é o Ibovespa, que é o índice que reflete a média do movimento das ações mais negociadas da bolsa, com pesos mais fortes nas chamadas blue chips (ações de primeira linha) que geralmente tem preço mais elevado por serem consideradas mais seguras e com maior liquidez. Ou seja, muitas empresas menores e boas de segunda linha não são consideradas e este é justamente o objetivo da aplicação em bolsa no longo prazo, escolher e manter boas empresas na carteira de ações.

Resumindo, o ideal é fazer uma cesta de investimentos com renda fixa e variável, para aproveitar as oportunidades que aparecem ao longo do tempo, diversificando e balanceando os investimentos para que no prazo que for você terá sempre dinheiro para suas necessidades e objetivos.

Novos Juros, Nova Poupança

Não poderia deixar de falar sobre as mudanças na poupança feita pelo governo recentemente. Resumindo: a taxa fixa da remuneração que era de 0,5% passou a ser de 70% da SELIC quando esta estiver igual ou abaixo de 8,5%. E todo depósito na nova poupança (a partir de 4 de maio de 2012) terá prioridade de saque, mas você poderá requerer o contrário. Por exemplo: se você tiver uma poupança antiga, com aniversário no início do mês (até o dia 4) e tiver depositado um dinheiro no dia 7 de maio (nova poupança) e precisar sacar no dia 4 de junho, portanto antes do aniversário da nova poupança (dia 7), este dinheiro não terá nenhuma correção a não ser que você peça para resgatar da poupança antiga que já passou um mês. Ou seja, na prática esta será uma poupança separada, mesmo que os bancos tentem deixar transparente. Verifique qual a melhor alternativa antes de sacar no “automático” nos primeiros meses, até que você construa uma nova poupança com vários aniversários.

Espero que com a mudança na poupança tenha caído a ficha do investidor que os tempos são outros. Juros altos é coisa do passado. Solução (quem leu meu último post sabe): procurar novas alternativas na renda fixa como debêntures (com risco privado). Porém até estas alternativas começam a não compensar devido ao risco/retorno (pois as taxas irão baixar também). Então sobra a renda variável, como fundos imobiliários (que geram uma renda fixa isenta de IR, proveniente dos aluguéis) ou as ações na bolsa de valores de boas empresas, que também rendem dividendos conforme o lucro e a distribuição definida pela empresa (25% no minimo). Tem risco, portanto tem que avaliar bem os imóveis que representam cada fundo ou a empresa na bolsa.

Uma alternativa interessante são os ETFs (fundos de ações cotados na bolsa com baixa taxa de administração). E agora (até 4 de junho para reservar) o BNDESPar vai lançar um refletindo o índice ECO2 que será negociado como ECOO11 (taxa de 0,38% a.a.). A maioria dos bancos de varejo ofertará o produto, tanto na venda direta (via corretora) ou na forma de fundo com taxa adicional de 1%. A grande vantagem desta oferta é que terá uma opção de venda ao completar 1 ano (uma espécie de seguro para o caso da bolsa cair até lá). Não deixe de ler os detalhes do prospecto da oferta antes de investir no site do seu banco na parte de oferta pública de ativos na seção investimentos.

Virar Sócio ou Credor da Cemig

Aqui em Minas é muito comum ouvir o pai gritar para o filho: “Apaga a luz que eu não sou sócio da Cemig!” Eu não posso falar o mesmo para o meu filho pois sou sócio (minóritário) por ter ações da empresa via Bovespa (a nossa Bolsa de Valores). Claro que isso não é sinal que deixo as luzes de casa acessas à toa, pois a conta no final do mês eu tenho que pagar. A Cemig não me isenta disto é claro, pois sou também consumidor. Mas tem os seus benefícios, recebo dividendos (lucro da empresa pago aos acionistas), além do valor do aumento da ação (que nos últimos 6 meses subiram 40%). Virar sócio de um negócio é ter participação no lucro e a empresa é obrigada a pagar no mínimo 25% do lucro líquido. No caso a Cemig paga no mínimo 50% do lucro líquido.

Mas em março (fevereiro para fazer a proposta) deste ano terá uma oportunidade a mais, ser credor da Cemig! Isso mesmo, emprestar dinheiro a ela. Assim como o consumidor poderá ficar devendo dinheiro à Cemig por não pagar uma conta de luz, você pode, ao contrário, ter a receber da Cemig via debêntures (títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas). Parece com os títulos públicos, assim como o Tesouro Direto, porém com um risco maior (pois o governo é considerado de menor risco) e também com um prêmio maior (juros maiores). Aí que está a vantagem: receber juros de uma grande empresa como a Cemig! Numa época de juros menores temos que procurar mais e assumir mais riscos para ganhar mais. As debêntures em questão pagarão no máximo 7,3% anualmente e o valor do principal a ser pago em 3 parcelas mais a variação do IPCA no período em 2020, 2021 e 2022 (caso do título mais longo de vencimento em 10 anos). Nos próximos dias deve sair datas da oferta. É um investimento interessante para diversificar a parcela de renda fixa no médio prazo.

Custo Fixo ou Variável ?

Não sei quanto a vocês, mas eu sou contra o custo fixo, ele toma parte do nosso salário todo mês e pior, usando ou não o serviço a que este custo representa ele é cobrado assim mesmo. Mas o que é realmente o custo fixo? O melhor (ou pior) exemplo é o telefone! Seja fixo ou celular todo mês você tem que pagar a “mensalidade” pra ficar sócio do clube do telefone. Não precisa utilizar nenhuma vez no mês mas tá lá a cobrança, se usar algo fora do “normal” ainda é cobrado a mais, como por exemplo um interurbano. As empresas alegam a manutenção e tal, mas faz sentido pagar por algo que não utiliza? Por isso até hoje tenho celular pré-pago, que embora pareça custo variável, pois eu só compro crédito se for utilizar, com o vencimento deles acabo perdendo dinheiro e não posso demorar muito a colocar mais créditos senão perco a linha! No telefone fixo então? Ainda bem que achei um plano da minha operadora que acho um pouco mais justo: franquia de reais para utilizar em qualquer gasto seja local, interurbano ou celular e não de minutos (franquia mínima tradicional nunca era utilizada totalmente).
Nos investimentos também temos os custos fixos: nas ações a famigerada custódia, que felizmente muitas corretoras isentam o cliente caso opere no mês. Pra mim a corretagem é mais que suficiente, muito mais quando você só usa o homebroker da corretora. Aqueles tantos tipos análises e informações mais atrapalham quem ajudam, mas aí é assunto para outra coluna. Os fundos também tem o seu custo, a famosa taxa de administração, que agora, com os juros mais baixos, tem feito abater significativamente a rentabilidade.
Resumindo, evite ao máximo os custos fixos, e se for possível transforme-os em variáveis, como no caso do celular por exemplo. Claro que se você é um “ligador” devido a sua profissão, por exemplo, vale a pena pagar menos pelas ligações. Faça as contas e projete o resultado no futuro (um ano) para ver qual a vantagem de um ou outro caso. Veja se não tem um plano mais adequado para você na sua operadora ou na concorrente (use a portabilidade). Só não vale ficar parado pagando o que não usa. Aliás, você não tem alguma assinatura ou cartão que pode ser cancelado? As suas finanças agradecem!

É possível prever o futuro nos investimentos?

Taí uma pergunta que gostaria de ter a resposta. Não é difícil imaginar que esta resposta vale muito dinheiro. O problema é que não é possível prever, assim como na meteorologia (que as vezes não acerta), o que vai acontecer com o seu dinheiro no futuro. As variáveis são inúmeras e as conseqüências das suas mudanças também.
A moeda vai desvalorizar? Os juros vão subir? A inflação será maior? A empresa X vai crescer? A empresa Y vai voltar? São perguntas difíceis de responder, pelo menos no tempo certo que daria muito dinheiro a quem soubesse (tirando o uso de informações privilegiadas que é crime).
Como é difícil saber a necessidade/oportunidade do dinheiro no longo prazo eu pratico o seguinte:
– nunca coloco todo o dinheiro de uma vez num lugar só;
– tenho sempre mais de um vencimento (renda fixa, por exemplo no Tesouro Direto);
– monitoro e fico atento para oportunidades de compras ou vendas quando estiver bem melhor do que estava antes.
Isso vale para Tesouro Direto, CDB, Debêntures, Poupança (dias de aniversário) e até ações! O ano de 2008/2009 estava repleto de oportunidades para quem ficou atento…
E compre ou venda aos poucos, pois amanhã ou no mês seguinte pode estar mais barato ou caro. Porque ninguém sabe com certeza quando será o mínimo ou máximo do mercado (embora tentem).
Desta forma você sempre tem uma alternativa no futuro (ou presente) de sacar o dinheiro quando precisar ou tiver uma oportunidade melhor, pagando menos impostos ou em condições melhores e nunca ficará tão arrependido de ter comprado na hora errada ou saído antes da hora.
Mas o importante é nunca deixar de investir! E aprender para melhorar o seu desempenho.
Claro que tudo isso pode ser ignorado se você for um adivinho, mas eu não sou!
Bons investimentos!